História da Igreja - Encontro 01

Encontro 01 – Considerações Gerais sobre o Estudo, Grade de Estudos, Introdução.


Esta primeira parte do estudo, será desenvolvida em 15 encontros, abrangendo o período compreendido entre os anos 14 e 325 da nossa era. - de Cristo ao Primeiro Concílio de Nicéia.

Início em 21/08, com encontros semanais (todas as quintas), das 19h30 às 21h30.

Bibliografia: A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires, de Daniel-Rops com tradução de Emérico da Gama, pela Quadrante, São Paulo 1988.

Os 20 séculos de caminhada da Igreja, Pe. Luiz Cechinato, Editora Vozes, Petrópolis, 2006.

História da Igreja Católica - Josef, Lenzenweger, pela Edições Loyola.

Os Santos que abalaram o Mundo – René Fülöp-Miller, tradução de Oscar Mendes, José Olympio Editora, Rio de Janeiro 1987.

História da Filosofia, vol I, II e III, Giovanni Reale-Dario Antiseri, Edições Paulinas, São Paulo 1990.

Introdução à História da Filosofia, Georg Wilhelm Friedrich Hegel, tradução de Euclidy Carneiro da Silva, Ediouro, 1986.

História da Filosofia, Julián Marías, tradução Alexandre Pinheiro Torres, Edições Sousa & Almeida, Porto 1987.

Apontamentos do estudo: Uma Visão Básica da Bíblia, desenvolvido na Paróquia Cristo Rei.


Encontro 01 – Considerações Gerais sobre o Estudo, grade de estudos, Introdução.

Encontro 02 – Os primeiros anos.

Encontro 03 – Do ano 50 ao ano 67.

Encontro 04 – Do ano 68 ao ano 96.

Encontro 05 – Do ano 97 ao ano 138.

Encontro 06 – Do ano 138 ao ano 192.

Encontro 07 – Do ano 193 ao ano 235.

Encontro 08 – Do ano 236 ao ano 268.

Encontro 09 – Do ano 269 ao ano 305.

Encontro 10 – Do ano 305 ao ano 311.

Encontro 11 – Constantino.

Encontro 12 – O Arianismo.

Encontro 13 – O Concílio de Niceia.

Encontro 14 – O Concílio de Niceia.

Encontro 15 – Santo Antão.


Debruçando-se sobre os primórdios do cristianismo, quando quase se sente ainda o alento da presença física do Mestre, observamos a constituição da Igreja, os seus ímpetos iniciais e os dilemas que teve de resolver desde a primeira hora, o seu assombroso crescimento e desenvolvimento sob a ação do Espírito vivificador.

Uma “terceira raça”, que se desprenderia do judaísmo e se oporia ao paganismo, insere-se agora nos rumos da História, não sem embates dolorosos que se estendem, sangrentos, até o advento de Constantino. Ao longo dos primeiros quatro séculos, vamos acompanhando a ação dos Apóstolos, principalmente dessas colunas da Igreja que foram São Pedro e São Paulo, a gesta de sangue dos mártires, o perfil dos grandes santos e dos primeiros forjadores das letras e das artes cristãs, o desenrolar do culto e da piedade, a formação dos quadros sempre dentro do marco de uma sociedade que vemos desagregar-se em agonia lenta, numa exaustão que talvez se esteja repetindo nos tempos atuais, mas que, também como hoje, se abre finalmente à esperança da “revolução da Cruz”.

É todo um processo de revezamento, a que não faltam as sombras dos conflitos internos e o claro-escuro dos erros que se prenunciam. Num retrato vivo da natureza humana, afloram os lapsi e todo painel desconcertante das heresias e dos sectarismos que no entanto conduziriam à formulação da teologia cristã e aos grandes Concílios da primeira era, e de que a Igreja saiu robustecida na sua autoridade e unidade.”

Nota da “orelha” da obra de Daniel-Rops, A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires, com tradução de Emérico da Gama, pela Quadrante, São Paulo 1988.


Introdução

A história da Igreja não pode ser equiparada à de outra sociedade. Com efeito; sabemos que a Igreja não é apenas a soma de seus membros, mas é o Corpo de Cristo prolongado através dos séculos (1Cor 12,12-21; Cl 1,24); é a continuação do mistério da Encarnação, pelo qual Deus quis revelar-se e também ocultar-se mediante nossa fragilidade, a fim de comunicar sua santidade aos homens. Consequentemente na história da Igreja vamos encontrar façanhas de enorme brilho (como a evangelização dos bárbaros, a preservação e a transmissão da cultura antiga, os gestos dos mártires, dos missionários, dos heróis da fé) como também nos defrontamos com momentos difíceis, como foram os séculos X e XVI. A sucessão ou a simultaneidade de luz e sombras não surpreende o estudioso cristão; para este, aliás, e também para o não cristão, o fato de que a Igreja até hoje subsiste cheia de vitalidade apesar do contra testemunho de muitos filhos seus, é o sinal mais evidente de que Deus, e não os homens, sustenta a Igreja. Os bons mestres, à revelia dos inovadores, sempre fizeram questão de dizer que a Igreja não consta apenas de santos, mas que nela existirão até o fim dos tempos justos e pecadores, como o próprio Senhor predisse na parábola do joio e do trigo (cf. Mt 13,24-30.36-43). Fato interessante: nos períodos mais dolorosos da sua história, a Igreja encontrou o vigor da renovação em seu próprio bojo, ou seja, na santidade dos seus membros que se dedicaram à oração e à pureza de vida; foram os santos que, suscitados oportunamente por Deus, restauraram o fulgor da Santa Mãe Igreja.

Vamos percorrer vinte séculos de história, conscientes de que cada época tem seu tipo de cultura e civilização próprio. Estes tipos próprios condicionaram frequentemente a compreensão das verdades do Evangelho; os antepassados fizeram, de boa fé e com zelo cândido, coisas que hoje não seriam repetidas (a Inquisição, as Cruzadas, a escravatura …). Ora não podemos julgar as gerações passadas com os critérios de hoje, mas temos que nos recolocar no ambiente dos antigos para compreender os fatos como eles os compreenderam ou dentro das coordenadas que a sua época lhes oferecia. Não silenciaremos em nossos estudo os feitos escabrosos de homens da Igreja, mas nem por isto condenaremos globalmente todos esses cristãos, como se eles tivessem o desabrochamento cultural de nossos dias. Diz sabiamente um historiador contemporâneo:

Se quisermos compreender a história, sentir as atitudes dos nossos maiores, muitas delas para o homem de hoje chocantes e paradoxais, procuremos estudar a mentalidade de cada época, o sentido social do tempo, os critérios em que se estribava a legislação vigente …

Assim podemos melhor entender certos episódios históricos, tais como a chamada intolerância religiosa, a Inquisição, a distinção entre cristão novo e cristão velho, o fato da escravatura... Aduzimos tais exemplos não para levantar loas aos aspectos menos evangélicos dessas instituições político religiosas, mas para descobrir menos má vontade ou ignorância nos homens de seu tempo. Aliás, nós homens do findar do século XX somos, com frequência, assaz ingênuos e incoerentes. Condenamos episódios passados que nos parecem monstruosos e calamos fenômenos históricos em edições contemporâneas ainda mais volumosas e cruéis, porque apresentados sob o disfarce de intenções aparentemente legítimas ou em nome de leis sociais que parecem válidas e aceitáveis” (Arlindo Rupert, A Igreja no Brasil, vol, I, Santa Maria 1981).


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