Documentos da Igreja - Reflexão 1

Reflexão Escola Santo Agostinho.

No encontro de estudos da Escola de Formação Santo Agostinho do dia 04/06/2014, tratamos sobre o parágrafo abaixo que nos é apresentado no livro texto do Documento de Aparecida.

A proposta ao grupo foi apresentar o que entendeu sobre o que está apresentado, considerando a realidade da vida dos católicos em relação à doutrina da Igreja, no momento presente e, na História da Evangelização na América Latina e Caribe.

“Não resistiria aos embates do tempo uma fé católica reduzida a uma bagagem, a um elenco de algumas normas e de proibições, a práticas de devoção fragmentadas, a adesões seletivas e parciais das verdades da fé, a uma participação ocasional em alguns sacramentos, à repetição de princípios doutrinais, a moralismos brandos ou crispados que não convertem a vida dos batizados. Nossa maior ameaça “é o medíocre pragmatismo da vida cotidiana da Igreja, no qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas, na verdade, a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez” (RATZINGER, J. Situação atual da fé e da teologia. Conferência pronunciada no Encontro de Presidentes de Comissões Episcopais da América Latina para a doutrina da fé, celebrado em Guadalajara, México, 1996. Publicado em L'Osservatore Romano, em 1 de novembro de 1996.) A todos nos toca recomeçar a partir de Cristo, reconhecendo que “não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou de uma ideia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva.”

Foram apresentadas algumas situações em que se verifica a vivência da religiosidade Católica, tais como a percepção de que para muitos o ser católico está diretamente ligado a uma série de formalismos e rituais, onde se tem a Igreja como uma prestadora de serviços a ser buscada quando das necessidades.

Apresento a reflexão do Mário Jorge C. Coelho, participante do grupo, que sintetiza mais claramente os debates nos dois encontros em que a questão foi abordada.

“O texto nos leva a refletir sobre a vida cristã que iniciamos e a que levamos hoje. Por muito tempo a Igreja usou e abusou da “Palavra” e dos “rituais” para manter seus seguidores obedientes e com medo, Medo de um Deus que castigava e medo do fogo do inferno pela desobediência. Muitos foram e até hoje ainda vão à igreja por mero cumprimento de um rito que garantirá um terreno no céu. Obviamente o que existe por mera imposição em algum momento não resistirá a argumentações e questionamentos bem formulados, assim a igreja vem assistindo de camarote a migração de seus fiéis para religiões que fornecem uma palavra de consolo, uma receptividade amorosa e atual etc.

Durante o caminhar da Igreja, percebemos que existem forças opostas: Uma no sentido de manter as coisas como estão ou como estavam, ou seja, uma fé resumida a obrigações e rituais, que se desmorona a cada questionamento ou a cada situação de desconforto e outra que prefere ir ao encontro do verdadeiro, da fé que questiona, que admite erros e que encara a igreja como um encontro com Deus, com o amor, e sabe que isso tem mais sentido do que Igreja instituição. Talvez seja um momento de recomeçar, reduzir-se em quantidade e para crescer na qualidade. Talvez o momento atual (Papa Francisco) seja propício para a reflexão, e mudança de paradigmas e de posturas, sem perder o essencial, o centro, o motivo de tudo, ou seja o encontro com Cristo. Por outro lado, o católico, nós, devemos ser corajosos também, em aceitar que precisamos rever nossas atitudes e posturas repetitivas e cheias de discurso num vazio de fé verdadeira, aquela que te faz sair do comodismo ao encontro do das feridas, das mazelas, do difícil. Deixemos de ser frequentadores de missas para comungarmos juntos com Cristo as dores e a mazelas que todos nós sofremos”.   

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