Documentos da Igreja - Encontro 10

No encontro 10, tratamos sobre a dimensão sociopolítica, parágrafos 74 ao 82. Apresento um resumo do conteúdo.


Constatamos um certo progresso democrático que se demonstra em diversos processos eleitorais. No entanto, vemos com preocupação o acelerado avanço de diversas formas de regressão autoritária por via democrática que, em certas ocasiões, resultam em regimes de corte neo-populista. […] Não faltam também atuações que radicalizam as posições, fomentam a conflitividade e a polarização extremas e colocam esse potencial a serviço de interesses alheios aos seus, o que ao final pode frustrar e reverter negativamente suas esperanças.

[…]

Cabe assinalar, como grande fator negativo em boa parte da região, o recrudescimento da corrupção na sociedade e no Estado, envolvendo os poderes legislativos e executivos em todos os níveis, alcançando também o sistema judiciário que, muitas vezes, inclina seu juízo a favor dos poderosos e gera impunidade, o que coloca em sério risco a credibilidade das instituições públicas e aumenta a desconfiança do povo, fenômeno que se une a um profundo desprezo pela legalidade. […] Nesse sentido, esquece-se de que a democracia e a participação política são fruto da formação que se faz realidade somente quando os cidadãos são conscientes de seus direitos fundamentais e de seus deveres correspondentes.

A vida social em convivência harmônica e pacífica está se deteriorando gravemente em muitos países da América Latina e do Caribe pelo crescimento da violência, que se manifesta em roubos, assaltos, sequestros, e o que é mais grave, em assassinatos que a cada dia destroem mais vidas humanas e enchem de dor as famílias e a sociedade inteira. […]

Alguns parlamentos ou assembléias legislativas aprovam leis injustas contra os direitos humanos e a vontade popular, precisamente por não estarem perto de seus representados, nem saberem escutar e dialogar com os cidadãos, mas também por ignorância, por falta de acompanhamento e porque muitos cidadãos abdicam de seu dever de participar na vida pública.

Em alguns países tem aumentado a repressão, a violação dos direitos humanos, inclusive o direito à liberdade religiosa, a liberdade de expressão e a liberdade de ensino, assim como o desprezo à objeção de consciência.

Ainda que alguns países tenham conseguido acordos de paz superando dessa forma conflitos antigos, em outros continua a luta armada com todas as suas sequelas (mortes violentas, violações dos Direitos Humanos, ameaças, crianças na guerra, sequestros etc.), sem que se possam prever soluções a curto prazo. A influência do narconegócio nesses grupos dificulta ainda mais as possíveis soluções.

Na América Latina e no Caribe vê-se com bons olhos uma crescente vontade de integração regional mediante acordos multilaterais, envolvendo crescente número de países que geram suas próprias regras no campo do comércio, dos serviços e das patentes. […] Também é positiva a globalização da justiça, no campo dos direitos humanos e dos crimes contra a humanidade, que permitirá a todos viver progressivamente sob normas iguais chamadas a proteger sua dignidade, sua integridade e sua vida.

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