Documentos da Igreja - Encontro 08

O encontro do dia 18/06 tratou sobre os parágrafos 43 a 46 do Documento de Aparecida, onde o grupo dedicou-se à discussão do julgar, tendo como fundamento a Doutrina da Igreja Católica, analisando os erros na postura da Igreja e, os erros e omissões pessoais.

Apresento um resumo dos parágrafos estudados:


Situação sócio-cultural.


[…] Surge hoje, com grande força, uma supervalorização da subjetividade individual. […] O individualismo enfraquece os vínculos comunitários e propõe uma radical transformação do tempo e do espaço, dando papel primordial à imaginação. […] Deixa-se de lado a preocupação pelo bem comum para dar lugar à realização imediata dos desejos dos indivíduos, à criação de novos e muitas vezes arbitrários direitos individuais, aos problemas da sexualidade, da família, das enfermidades e da morte.

A ciência e a técnica quando colocadas exclusivamente a serviço do mercado, com os critérios únicos da eficácia, da rentabilidade e do funcional, criam uma nova visão da realidade. […] As relações humanas estão sendo consideradas objetos de consumo, conduzindo a relações afetivas sem compromisso responsável e definitivo.”


Apresento algumas das idéias discutidas no encontro.


Vimos que um dos erros da Igreja neste processo de supervalorização individual, com o deixar-se de lado a preocupação pelo bem comum, um afastamento da mesma em sua postura muito clerical e “dona da verdade”, com sua doutrinação do “proibido”, da participação “obrigatória” nas Missas, sem uma abertura para o envolvimento da comunidade, onde a participação dos leigos era meramente de “cumprimento” das ordens e obediência cega às autoridades constituídas. Com o Concílio Vaticano II, abre-se uma porta para a participação dos leigos e, aos poucos este “fechamento clerical” vai se esvaindo e, aí, entra o erro dos leigos, em sua omissão, quando passam a entender a participação na Igreja como que num clube social, ou a vendo como uma Instituição onde se busca a solução de problemas pessoais ou familiares, como que num balcão de utilidade pública. Os Sacramentos para a grande maioria nada mais são do que cumprimentos de eventos sociais ou meramente uma tradição sem sentido.

Com isso, ficamos numa situação de rompimento, onde não sentimos mais a necessidade da nossa participação efetiva na tomada de decisões de suma importância para a vida pessoal, familiar e comunitária, deixando “o barco” navegar ao sabor das ondas e ventos ideológicos e dos interesses políticos e econômicos.


Propomos no encontro buscar na doutrina da Igreja, no caso no nosso Catecismo, alguns pontos de referência, sobre: “Individualismo”, “Problemas da sexualidade da família”, “Ciência e a técnica colocadas exclusivamente a serviço do mercado.”


Apresento algumas considerações do Catecismo sobre os itens apontados.


Individualismo:


2425 A Igreja tem rejeitado as ideologias totalitárias e atéias associadas, nos tempos modernos, ao “comunismo” ou ao “socialismo”. Além disso, na prática do “capitalismo”, ela recusou o individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano. A regulamentação unicamente pela lei do mercado vai contra a justiça social, “pois há muitas necessidades humanas que não podem ser atendidas pelo mercado”. É preciso preconizar uma regulamentação racional do mercado e das iniciativas econômicas, de acordo com uma justa hierarquia de valores e em vista do bem comum.


2792 Enfim, se rezamos verdadeiramente ao “Nosso Pai”, saímos do individualismo, pois o Amor que acolhemos nos liberta (do individualismo). O “nosso” do início da Oração do Senhor, como o “nós” dos quatro últimos pedidos, não exclui ninguém. Para que seja dito em verdade, nossas divisões e oposições devem ser superadas.


Sexualidade:


Dignidade da Sexualidade.

2362 “Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos. Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, significam e favorecem a mútua doação pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido”. A sexualidade é fonte de alegria e de prazer.


Diversidade e complementariedade dos sexos.

369 O homem e a mulher são criados, isto é, são queridos por Deus: por um lado, em perfeita igualdade como pessoas humanas e, por outro, em seu ser respectivo de homem e de mulher. “Ser homem”, “ser mulher” é uma realidade boa e querida por Deus: o homem e a mulher têm sua dignidade inamissível que lhes vem diretamente de Deus, seu Criador. O homem e a mulher são criados em idêntica dignidade, “a imagem de Deus”. Em se “ser-homem” e se “ser-mulher” refletem a sabedoria e a bondade do Criador.

370 Deus não é de modo algum à imagem do homem. Não é nem homem nem mulher. Deus é puro espírito, não havendo nele lugar para a diferença dos sexos. Mas as “perfeições” do homem e da mulher refletem algo da infinita perfeição de Deus: as de uma mãe e as de um pai e esposo.

371 Criados conjuntamente, Deus quer o homem e a mulher um para o outro. A Palavra de Deus dá-nos a entender isto por meio de diversas passagens do texto sagrado. “Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer uma auxiliar que lhe corresponda” (Gn 2,18). Nenhum dos animais pode ser este “vis-à-vis” do varão. A mulher que Deus “modela” da costela tirada do varão e que leva a ele provoca da parte do homem um grito de admiração, uma exclamação de amor e de comunhão: “É osso de meus ossos e carne de minha carne” (Gn 2,23). O homem descobre a mulher como um outro “eu” da mesma humanidade.

372 O homem e a mulher são feitos “um para o outro”: não que Deus os tivesse feito apenas “pela metade” e “incompletos”; criou-os para uma comunhão de pessoas, na qual cada um dos dois pode ser “ajuda” para o outro, por serem ao mesmo tempo iguais enquanto pessoas e complementares enquanto masculino e feminino. No matrimônio, Deus os une de maneira que, formando “uma só carne” (Gn 2,24), possam transmitir a vida humana: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra” (Gn 1,28). ao transmitir a seus descendentes a vida humana, o homem e a mulher, como esposos e pais, cooperam de forma única na obra do Criador.

373 No desígnio de Deus, o homem e a mulher têm a vocação de “submeter” a terra como “intendentes” de Deus. Esta soberania não deve ser uma dominação arbitrária e destrutiva. À imagem do Criador “que ama tudo o que existe” (Sb 11,24), o homem e a mulher são chamados a participar da Providência divina em relação às demais criaturas. Daí a responsabilidade deles para com o mundo que Deus lhes confiou.

1605 Que o homem e a mulher tenham sido criados um para o outro, a Sagrada Escritura o afirma: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2,18). a mulher, “carne de sua carne”, isto é, igual a ele, bem próxima dele, lhe foi dada por Deus como um “auxílio”, representando, assim, “Deus, em quem está o nosso socorro”. Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne” (Gn 2,24). que isto significa uma unidade indefectível de suas duas vidas, o próprio Senhor no-lo mostra lembrando qual foi, “na origem”, o desígnio do Criador: “De modo que já não são dois, mas uma só carne” (Mt 19,6).

2333 Cabe a cada um, homem e mulher, reconhecer e aceitar sua identidade sexual. A diferença e a complementariedade físicas, morais e espirituais estão orientadas para os bens do casamento e para o desabrochar da vida familiar. A harmonia do casal e da sociedade depende, em parte, da maneira como se vivem entre os sexos a complementariedade, a necessidade e o apoio mútuos.


Homem criado macho e fêmea.

355 “Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus os criou, homem e mulher os criou” (Gn 1,27). O homem ocupa um lugar único na criação: ele é “à imagem de Deus”; em sua própria natureza une o mundo espiritual e o mundo material; é criado “homem e mulher”; Deus o estabeleceu em sua amizade.

383 “Deus não criou o homem solitário. Desde o início, 'Deus os criou varão e mulher' (Gn 1,27). Esta união constituiu a primeira forma de comunhão de pessoas.


Mandamento relativo à sexualidade.

2336 Jesus veio restaurar a criação na pureza de sua origem. No Sermão da Montanha, ele interpreta de maneira rigorosa o plano de Deus: “Ouvistes o que foi dito: 'Não cometerás adultério'. Eu, porém, vos digo: todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mt 5, 27-28). O homem não deve separar o que Deus uniu.

A tradição da Igreja entendeu o sexto mandamento como englobando o conjunto da sexualidade humana.


Sexualidade desordenada.

2351 A luxúria é um desejo desordenado ou um gozo desregrado do prazer venéreo. O prazer sexual é moralmente desordenado quando é buscado por si mesmo, isolado das finalidades de procriação e de união.

3522 Masturbação ….

2353 Fornicação …

2354 Pornografia …

2355 Prostituição …

2356 O estupro designa a penetração à força, com violência, na intimidade sexual de uma pessoa. Fere a justiça e a caridade. O estupro lesa profundamente o direito de cada um ao respeito, à liberdade, à integridade física e moral. Provoca um dano grave que pode marcar a vítima por toda a vida. É sempre um ato intrinsecamente mau. Mais grave ainda é o estupro cometido pelos pais (cf. incesto) ou educadores contra as crianças que lhes são confiadas.

2357 A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. Sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição sempre declarou que “os atos de homossexualismo são intrinsecamente desordenados”. São contrário à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados.

2358 Um número não negligenciável de homens e mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição.


Sexualidade diz respeito à capacidade de amar.

2332 A sexualidade afeta todos os aspectos da pessoa humana, em sua unidade de corpo e alma. Diz respeito particularmente à afetividade, à capacidade de amar e de procriar e, de uma maneira mais geral, à aptidão a criar vínculos de comunhão com os outros.


Ciência e serviço do homem.

2292 As experiências científicas, médicas ou psicológicas em pessoas ou grupos humanos podem concorrer para a cura dos doentes e para o progresso da saúde pública.

2293 A pesquisa científica de base, como a pesquisa aplicada, constituem uma expressão significativa do domínio do homem sobre a natureza. A ciência e a técnica são recursos preciosos postos a serviço do homem e promovem seu desenvolvimento integral em benefício de todos; contudo, não podem indicar sozinhas o sentido da existência e do progresso humano. A ciência e a técnica estão ordenadas para o homem, do qual provêm sua origem e seu crescimento; portanto encontram na pessoa e em seus valores morais a indicação de sua finalidade e a consciência de seus limites.

2294 É ilusório reivindicar a neutralidade moral da pesquisa científica e de suas aplicações. Além disso, os critérios de orientação não podem ser deduzidos nem da simples eficácia técnica nem da utilidade que possa derivar daí para uns em detrimento dos outros, e muito menos das ideologias dominantes. A ciência e a técnica exigem, por seu próprio significado intrínseco, o respeito incondicional dos critérios fundamentais da moralidade; devem estar a serviço da pessoa humana, de seus direitos inalienáveis, de seu bem verdadeiro e integral, de acordo com o projeto e a vontade de Deus.

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