Documentos da Igreja - Reflexão 3

Apresento a reflexão do Mário Jorge C. Coelho sobre o encontro que abordou os Itens 74 a 82 do Documento de Aparecida.



O texto apresenta claramente como nós evoluímos no processo democrático, falando aqui somente em nossa realidade brasileira. O processo de globalização dos acontecimentos, através da mídia e principalmente através da internet, tem possibilitado esse amadurecimento democrático, pois traz informações e conhecimentos aos cidadãos, que por consequência passam a ser mais críticos e mais participativos, haja vista o crescente número de Partidos Políticos, Organizações não Governamentais entre outras instituições, que por vezes acabam por contribuir para melhorias nas políticas públicas voltadas para a saúde, educação, moradia e tantas outras necessidades. É claro também que na esteira da boa vontade e dessa democracia desejada e participativa, recebemos também os malefícios que essa própria democracia nos traz. A organização de uma sociedade democrática, numa visão governamental, acaba por delegar poderes, e onde há poder haverá sempre o explorador e o explorado, além obviamente do jogo de interesses, e assim nasce e se constitui a corrupção por exemplo, que talvez seja hoje o grande mal da sociedade brasileira, enraizado em todos os setores da sociedade e em todos os níveis de poder, seja legislativo, executivo ou até mesmo o judiciário. A partir da corrupção, todos os valores humanos vão se deteriorando, pois o que seria bom, justo e necessário deixa de ser feito por interesse de alguns, e assim cria-se um motivo para o aumento das mazelas do povo: fome, violência, miséria etc. Se mudarmos o nosso olhar para a população em geral, também vamos ver o contraponto a essa democracia, ou seja, um povo crítico, que conhece suas necessidades e direitos, mas que se submete a políticas de favores e de interesses, caindo assim nas armadilhas da corrupção, das falsas promessas, das regras convenientes etc. Uma verdadeira sociedade democrática tem necessariamente que ser crítica e participativa, porém com um olhar coletivo e não individualista, as políticas implementadas devem procurar a igualdade de direitos, promovendo assim um bem-estar comum a todos, sem olhar para classes sociais, credos ou raças. A igreja enquanto defensora dos direitos à vida e à dignidade, a meu ver deve se posicionar e se colocar como participante desse processo democrático justo, não só por meio de discursos e documentos, mas principalmente através de ações, obviamente não ideológicas e partidárias, mas humanistas.

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