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2013/06 - A Cultura Midiática

Um novo modo de relacionar-se:



A cultura midiática


A cultura midiática pode ser compreendida como um processo comunicacional que se realiza por meio dos chamados Meios de Comunicação de Massa (Mass Media), jornais, revistas, rádio, televisão, internet, instrumentos utilizados para comunicar, ao mesmo tempo, uma mensagem a um número maior de pessoas.

Com o advento da informática, surge um novo modelo de agentes de comunicação. Os jovens, que até então recebiam a informação de modo passivo, passam a utilizar as novas tecnologias, dominando-as. Eles detêm o conhecimento técnico de tais instrumentos, pois nasceram e crescem na era digital.

A internet criou uma “aldeia global”, que possibilita acesso e interação com um número muito grande de pessoas ou segmentos, oferecendo oportunidades que vão ao encontro dos mais diversos interesses. A utilização de redes sem fio e o rápido surgimento de novos aparelhos colaboram para uma comunicação mais ágil e interativa. As redes sociais ganham considerável destaque por permitirem conectar-se ao mundo ou a grupos de interesses, criando mobilizações ou apenas favorecendo entretenimento.

 


Redes sociais como ambiente


Sem apresentarmos um juízo de valores, percebemos imediatamente que grande parte de nossos jovens não vive mais sem os instrumentos tecnológicos próprios de seu mundo de comunicação.

Aliás, não se pode mais imaginar a humanidade sem a realidade midiática; isso não tem volta. Tomemos como exemplo as redes sociais: elas atuam a partir desse novo ambiente, com uma linguagem própria, provocando uma nova visão da sociedade e do mundo.

O novo jeito de o jovem ser e interagir tem suas raízes nessa comunicação em rede. Ele respira e vive na chamada ambiência midiática, uma teia de novas tecnologias em que se pode ser, rapidamente, ouvido, visto, considerado. Comunicar não é, portanto, apenas uma questão instrumental, mecânica, unidirecional, é inter-relacional, é “vida”. Mesmo os mais pobres, privados desse acesso e participação, são atingidos por essa realidade e provocados constantemente a fazer parte desse ambiente. Cada vez mais a interação entre as pessoas e a formação de grupos de afinidade possibilita uma grande porta de acesso a todos, mas especialmente aos jovens, que têm construído suas relações a partir desses meios.

Contudo, há que se considerar o risco de o jovem querer e necessitar estar sempre conectado e privilegiar essa forma de encontro, em detrimento da presencial. As conexões feitas pelos novos meios são importantes, mas podem não ser fortes o suficiente para superar crises, desencontros e dificuldades inerentes a todas as relações humanas. Por isso, as antigas formas de comunicação e linguagem não podem ser abandonadas. A melhor forma de nos entendermos ainda é a presencial, e o melhor meio de comunicação é a própria pessoa. Sem dúvida, o aspecto mais importante desse modelo comunicacional é a troca, o compartilhamento que promove. Há que se considerar a necessidade de proporcionar a esta geração hiperconectada a possibilidade de conexões pessoais duradouras e resistentes às crises. Nesse novo contexto, em que os jovens são os protagonistas por excelência, precisamos nos posicionar com firmeza, com ousadia, com otimismo e, ao mesmo tempo, com criatividade.

O Papa Bento XVI, em pronunciamento recente, nos convoca a um olhar bastante positivo e a uma urgente co-responsabilidade para integrar tudo isso a favor do povo a partir da comunicação de vida plena anunciada por Jesus Cristo: “Convido os cristãos a unirem-se confiadamente e com criatividade consciente e responsável na rede de relações que a era digital tornou possível; e não simplesmente para satisfazer o desejo de estar presente, mas porque esta rede tornou-se parte integrante da vida humana. A web contribui para o desenvolvimento de formas novas e mais complexas de consciência intelectual e espiritual, de certeza compartilhada. Somos chamados a anunciar, neste campo também, a nossa fé: que Cristo é Deus, o

Salvador do homem e da história, Aquele em quem todas as coisas alcançam a sua perfeição”.

 


Um novo modo de relacionar-se


Presenciamos, assim, uma aceleração contínua de novos comportamentos, tendências, estilos de vida e expressões de subjetividade. A complexidade e a diversidade das realidades humanas e sociais interagem e se expandem de tal forma que cada vez mais fica difícil prever o comportamento dos jovens e dos seus grupos.

O relacionamento para os jovens da cultura midiática refere-se ao novo modo de comunicar-se. Eles querem ser autores e participantes dos processos de relacionamento. Em virtude disso, cada vez mais, as pessoas, as empresas, as escolas têm deixado modelos hierarquizados, funcionalistas, para valorizar o ser humano, a gestão do conhecimento, a criatividade, a originalidade e o talento associados ao respeito, à individualidade e à busca da qualidade de vida, da valorização de si, do próprio corpo, do tempo livre, da afetividade, da família.

 


O protagonismo juvenil nesta cultura


Não podemos negar que existe uma relação natural de nossas crianças, adolescentes e jovens com as novas tecnologias. A maioria deles vive no universo midiático e, muitas vezes, aqueles que não têm acesso aos diversos aparelhos ou redes são deixados à margem do processo social ou considerados como menos importantes em relação aos inseridos. É própria dessa faixa etária a busca de experiências, de envolvimentos e de participação em atividades. Os jovens de hoje priorizam a experiência em vez da representação. O protagonismo deles se realiza por meio de conexão com outros jovens e com a esfera pública, quando manifestam uma atitude colaborativa, expressam suas opiniões, mostram competência dentro de uma sociedade global e complexa.

A relação natural entre os jovens e as novas mídias alimenta cada vez mais o gosto e o interesse por ser sujeito. Eles se sentem motivados pelos desafios que esse novo universo comunicacional impõe. Conhecem e dominam as linguagens das novas mídias mais que os próprios pais e educadores, e isso os torna socialmente fortes e valorizados. Nessa realidade, criam um novo modo de se relacionar e de assumir compromissos com a família, com a educação, com a sociedade, com a Igreja, com o ambiente.

 


As novas gerações diante da sociedade


Os jovens dominam as relações baseadas na interatividade.

Os jovens e as novas tecnologias formam uma teia complexa e imensa de interatividade e relações. A interatividade significa uma mudança de poder nas relações humanas mais significativas da sociedade, ou seja, na família e na escola. Os jovens exigem cada vez mais um falar e ouvir, um ouvir e falar – o diálogo nasce e cresce a partir da relação natural de interatividade. Essa interatividade está presente no protagonismo dos jovens na música, na arte, no esporte, no trabalho e na educação. Ao interagir com pessoas no ambiente educativo e no trabalho, eles estão exigindo, cada vez mais, mudanças nos diversos âmbitos, como o sociopolítico e econômico, para que possam criar ambientes colaborativos, de transparência, de competência, de inovação e de engajamento na sociedade.

 


Eles têm uma nova maneira de se relacionar na família.


Hoje, a relação entre pais e filhos é muito diferente da observada nas gerações anteriores. Há uma considerável influência das novas tecnologias no modo de estruturar e viver a vida familiar.

Tais tecnologias podem atuar positiva ou negativamente. Muitas vezes percebemos que alguns adolescentes e jovens tendem a um isolamento, quando usam essas ferramentas tecnológicas, com consequências prejudiciais para o seu desenvolvimento social e psicológico. A família, principalmente nas grandes cidades, transformou-se num grupo de pessoas que moram juntas, uma vez que pais e filhos se isolam diante da TV ou do computador, em detrimento do diálogo e da partilha. Há, por outro lado, exemplos de jovens que, distantes da família, encontram nesses meios, possibilidades de proximidade com ela.

Também na educação familiar, as novas tecnologias influenciaram e transformaram paradigmas. Se antes os pais eram os detentores absolutos do conhecimento, os filhos, agora, podem partilhar com eles o que descobrem a partir da interação na rede.

Um dos desafios que brota no seio familiar, em tempos digitais, é estabelecer regras e relacionamentos capazes de um uso sadio e proveitoso desses instrumentos.

Eles buscam uma abordagem nova na educação.

Considerados como novos autores no aprendizado, os jovens estão questionando o modelo tradicional do professor que ensina e tem controle do conhecimento. Para eles, o saber é construído de maneira colaborativa, interativa e prática. Com um acesso imenso às informações, os jovens, às vezes, têm dificuldade de interpretá-las, de aprofundá-las e de aplicá-las à vida. Buscam, porém, novos modos de aprender e de pesquisar.

Eles passaram a ser coagentes da própria educação e não meros espectadores. Os professores passaram a ser participantes do processo, e o conhecimento das novas mídias pode até levá-los a ensinar, tornando mais interativa a relação professor-aluno no processo de ensino-aprendizagem.



Eles têm uma visão planetária


Os jovens que crescem na cultura midiática acreditam firmemente que o planeta lhes pertence. Eles são mais sensíveis à ecologia, à comida e à bebida saudáveis para o futuro. Percebem que a ameaça à vida, à natureza, ao ecossistema pode gerar insegurança tanto para eles quanto para os seus futuros filhos. Querem viver em um mundo mais pacífico, mais tolerante e mais responsável. Por isso, estão se organizando, cada vez mais, por meio das redes sociais, para defender seus direitos, a natureza, a qualidade de vida das pessoas, e construir uma sociedade mais humana e solidária.



Uma geração aberta ao mundo e à solidariedade


Com o alcance global da internet, os jovens sentem uma necessidade enorme de realizar ações solidárias por meio do voluntariado.

Os jovens que acompanham as notícias diárias têm-se organizado para mobilizar campanhas de solidariedade em nível nacional ou internacional. Algumas campanhas, por exemplo, iniciadas por programas de televisão, têm reunido artistas, pessoas de várias religiões para doar dinheiro, filiar-se a organizações ou associações, criando redes de apoio tecnológico a populações que necessitam de energia, de telefone, de centros educacionais e de saúde.

Os jovens gostam de viajar, de interagir com pessoas de outros países. A experiência de voluntariado também lhes tem permitido conhecer outras nações e culturas, aprender novos idiomas, investir na própria educação e ganhar experiências profissionais.

Por causa de uma abertura ímpar trazida pela troca de experiências e de dados entre os que estão na rede, os jovens, com tendência a valorizar a própria cultura e a cultura de outros povos, parecem viver num mundo sem fronteiras. Há maior respeito às diferenças entre as culturas e religiões, grande capacidade de tolerância, valorização do diálogo e vontade de aprender mais sobre outros povos.

Por isso, os jovens desenvolvem maior sensibilidade diante dos problemas globais que afetam sua vida e seus interesses. A preocupação e o estudo referentes às questões climáticas são provenientes da geração internet. Muitos jovens conhecem as consequências do efeito estufa e do aquecimento global e se mobilizaram online para uma campanha de proteção ao planeta.



Jovens mais críticos?


As novas técnicas, sem dúvida, fomentam um maior ativismo social. Entre outros instrumentos, os blogs, o twitter, o facebook e os e-mails têm sido utilizados como promotores de consciência e atuação política. Diferentemente dos jovens das décadas de 1960 e de 1970, que lutaram contra a ditadura no Brasil, ou os caras-pintadas de 1990, que saíam às ruas para protestar, a juventude de hoje tende a se organizar por meio das redes sociais. A geração das redes sociais encontra sua força de expressão na habilidade e na rapidez de rastrear informações na internet, criar e midiatizar a mensagem, formar redes de notícias e se mobilizar em torno de uma causa. Essa mobilização virtual cresce à medida que os adolescentes e jovens adquirem seu próprio computador e têm acesso à internet. Como fazem parte de uma sociedade fragmentada, não linear, líquida, suas manifestações políticas não se apresentam contínuas ou estruturadas, mas velozes, instantâneas e, por vezes, passageiras.



Todos têm direito a acessar a tecnologia moderna


É preciso um olhar mais atento à questão da exclusão digital.

Num país como o Brasil, com grande extensão territorial e diferenças regionais, o número de excluídos digitais é alarmante.

São necessárias políticas públicas e de iniciativa privada para mudar essa realidade. Não se pode ver protagonismo juvenil na cultura midiática como uma verdade absoluta, porque milhões de jovens nunca tiveram contato com o computador e com a internet.

Não se pode falar de mudança de paradigmas na educação, enquanto a maior parcela da população continua sem acesso às salas de aulas ou usa os métodos tradicionais de aprendizagem.

Uma pesquisa recente da Data Folha e da Agência de Publicidade Box, realizada com 1.200 jovens entre 18 e 24 anos de idade, sugere um descontentamento com instituições políticas tradicionais e aponta que para eles a Internet é um instrumento de mobilização social.

Cerca de 71% dos jovens entrevistados acreditam que é possível fazer política usando a internet, sem a participação de intermediários, tais como os partidos políticos tradicionais.

Os dados são comparados aos dos países mais pobres do planeta, como os da África, a Índia e países do Leste Europeu – segundo pesquisa do Fórum Econômico Mundial. Dados da Fundação Getúlio Vargas apontam que, enquanto 75% da população possuem computador e acesso à internet nos Estados mais ricos e no Distrito Federal, nos mais pobres esse número cai para uma média de 2%. Nas estatísticas entram ainda aqueles que acessam a internet a partir de lan houses, estabelecimentos que permitem o uso do computador e da rede através do pagamento de uma taxa por hora. Uma grande parte dos jovens não tem condições para este uso

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