Catequese‎ > ‎Catequese de Pais‎ > ‎

2013/08 - Desafios cristãos na educação dos filhos na Fé

Desafios cristãos na educação dos filhos na Fé

1 - Como cristãos acreditamos que o mundo em que habitamos é resultado da ação criadora e amorosa de Deus. Deus é o criador e mantenedor da criação. Os seres humanos – homens e mulheres – são criaturas junto com os demais elementos da criação. Todos os seres criados têm dignidade própria.

Ao homem e à mulher Deus conferiu uma dignidade especial: a de sua imagem e semelhança, que constitui a base de toda antropologia cristã; ser imagem e semelhança de Deus comporta um existir em relação, em referência ao outro eu, porque de fato o ser humano não foi feito para estar sozinho.

Após ter criado o ser humano, Deus oferta a ele toda sua criação para que este a sujeite e domine, para cuidar, para zelar de tudo o que Ele criou. O Criador nos deu capacidade e liberdade para escolher o caminho que queremos seguir; capacidade de amar, de conhecer, analisar, gerar e transformar. E aí estaria, talvez, uma das mais verdadeiras tarefas criadoras do ser humano: ser co-criador com Deus, principalmente em promover e defender a vida, cuidando da natureza e não apenas usufruindo dela ao seu bel prazer.

2 - O principal desafio para o qual a família de hoje deve enfrentar na educação cristã dos seus filhos não está na questão da dimensão religiosa, mas na antropológica, ou seja, a maneira, a visão, a concepção e compreensão de quem PE o ser humano: Pois existe uma ditadura do relativismo segundo o qual não existe uma verdade única, objetiva, geral para todos sobre quem é o ser humano e, por conseguinte, tampouco sobre o matrimônio e sobre a família. Essa visão relativista evidencia o individualismo, em que cada um faz o que quer e como quer. Cada um para si e Deus por ninguém.

O relativismo e o individualismo afirmam também que não existe um Deus comum a todos, cada um cria e se relaciona com seu próprio “Deus”. E, tampouco existem verdade única, normas éticas e valores permanentes. Cada um deve acreditar e fazer o que é melhor para si, mesmo na construção da sua própria felicidade. Eu sou a minha própria verdade e caminho.

Os juízos sobre os valores morais, quer dizer, sobre o que é bom ou mau e, por isso, sobre o que se deve fazer ou omitir, não podem ser determinados segundo a escolha individual. O ser humano, no mais profundo da sua consciência, descobre a presença de uma lei que ele não ditou a si mesmo, mas que deve obedecer. Esta lei foi escrita por Deus no seu coração, de modo que, além de aperfeiçoar e realizar-se nela como pessoa, ele sabe que será de acordo com esta lei que Deus o julgará pessoalmente.

3 – Diante da realidade relativista, a família tem hoje a inevitável tarefa de transmitir aos seus filhos a verdade sobre quem é a pessoa humana e como esta pode obter a satisfação de suas necessidades. Como já ocorreu nos primeiros séculos da era Cristã, hoje é de capital importância conhecer e compreender a primeira página do Gênesis: existe um Deus pessoal e bom, que criou à sua imagem e semelhança o homem e a mulher com igual dignidade, mas diferentes e complementares entre si, e deu-lhes a missão de gerar filhos, mediante a união indissolúvel de ambos em uma só carne (matrimônio); uma pessoa humana que é essencialmente relação e comunhão.

O ser humano recebeu de Deus incomparável e inalienável dignidade, criado à sua imagem e semelhança e destinado a ser filho adotivo. Cristo, em sua encarnação, nos plenificou a graça de sermos filhos de Deus, Por ter sido criado à imagem de Deus, o ser humano tem a dignidade de pessoa: não é alguma coisa, ou um ser individual de produção e lucro; ele é alguém; uma pessoa humana, querida, desejada e amada por Deus.

As consequências da não correspondência ao desígnio de Deus são desastrosas para a pessoa, para a família e para a sociedade. Assim, tenta-se explicar a justificação do aborto como um direito da mulher, a legalização da eutanásia, o controle artificial dos nascimentos, as leis cada vez mais permissivas do divórcio, as relações extraconjugais, as diversas tentativas de equiparar as uniões homoafetivas à família composta de um homem, mulher e seus filhos.

A família é a melhor escola para criar relações comunitárias e fraternas, bem como um eficaz recurso frente às atuais tendências relativistas e, por conseqüência, individualistas. De fato, o amor – que é a alma da família em todas as suas dimensões – só é possível se houver entrega sincera de si mesmo aos outros.

Graças ao amor, cada membro da família é reconhecido, aceito e respeitado em sua dignidade. Do amor nascem relações espontâneas, desinteressadas e de solidariedade profunda. Como a experiência comprova, mesmo nas famílias em constante conflito e tensão, a família constrói dia após dia uma rede de relações interpessoais que preparam seus membros para viverem em sociedade no desejo possível de um clima de respeito, justiça e verdadeiro diálogo.

4 – Os pais têm autoridade para educar seus filhos com confiança e valentia nos valores humanos e cristãos, começando pelo valor mais importante de todos: a verdade; por conseqüência a necessidade de procurá-la e segui-la pra realizarem sua missão, enquanto guardiões de seus lares. Outros valores, também importantes nos dias de hoje, são o amor à justiça e a educação sexual clara e delicada que leve a uma valorização pessoal do corpo e a superar a mentalidade e a prática que reduz o corpo à objeto de prazer.

A família, em sintonia com a Igreja e, mais em particular, com o Papa, os bispos e os padres colabora pra que as pessoas desenvolvam valores fundamentais e imprescindíveis na formação de cidadãos livres, honestos e responsáveis. Esses valores são: a verdade, a justiça, a solidariedade, a partilha, o amor ao próximo, a tolerância.

Assim, a criança vai incorporando esses valores, adquirindo critérios e atitudes que a ajudará mais adiante em outra família mais ampla, que é a sociedade.

Fala do Magistério

A experiência quotidiana nos diz e, todos nós sabemos que hoje em dia educar para a fé não é uma tarefa fácil. Na realidade, toda obra de educação parece tornar-se cada vez mais árdua e precária. Por este motivo, fala-se de uma grande “emergência educativa”, da dificuldade crescente que se enfrenta ao transmitir às novas gerações os valores base da existência e de um justo comportamento, dificuldade esta que se apresenta tanto à escola como à família e, também às outras instituições com finalidades educativas.

Podemos acrescentar que se trata de uma emergência inevitável: numa sociedade e numa cultura que muitas vezes faz do relativismo o seu próprio credo. O relativismo tornou-se uma espécie de dogma, numa sociedade semelhante vem a faltar à luz da verdade, aliás, considera-se “autoritário” fazê-lo, e assim termina-se por duvidar da bondade da vida – O ser humano é um bem? É um bem viver? – e da validade dos relacionamentos e dos compromissos que constituem a vida.

Então, como será possível propor aos mais jovens e transmitir às gerações “algo” válido e verdadeiro sobre as regras da vida? Como dar significado autêntico e apresentar finalidades convincentes para a existência humana, enquanto pessoas, enquanto comunidade?

Por isso, hoje, a educação tende a reduzir-se na transmissão de determinadas habilidades, ou capacidades no fazer. Ao mesmo tempo, o modo de vida hoje propagado pelas esferas sociais influentes estimula as novas gerações a procurarem a felicidade nos objetos de consumo e nas gratificações efêmeras.

Assim, tanto os pais como os professores são facilmente tentados a abdicar das tarefas educativas que lhes são próprias, e a não compreender mais nem sequer o seu papel, e a missão a eles confiada. Não oferecemos aos jovens, às novas gerações, aquilo que temos o dever de lhes comunicar. Nós somos devedores no que se lhe refere, também, dos verdadeiros valores que dão fundamento á vida.

Comments