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03/04/2010 - Trabalho em casa

Caros Pais e Responsáveis

Conforme nosso calendário no dia 03/04/2010 não haverá encontro presencial, porém, teremos atividade para executarmos em casa. O texto apresentado abaixo apresenta de forma sucinta e breve o que significa a Campanha da Fraternidade, e esclarece o tema de 2010. A tarefa dos Pais ou Responsáveis é após a leitura do texto apresentar por escrito em papel contendo o nome dos Pais ou Responsáveis e também do filho ou filha e qual turma de catequese pertence, a resposta às questões abaixo:

OBS.: A resposta poderá ser entregue pelo (a) catequizando (a) no primeiro encontro presencial.

1) O plano de Deus ao criar o mundo é percebido e vivido pelos homens?

2) Nos noticiários e jornais encontramos notícias que apontam para uma mudança nas Políticas Econômicas que prevejam maior valorização do homem?

3) O que você pode fazer para contribuir com os objetivos apresentados pela Campanha da Fraternidade?

4) Conversem em casa e apresentem uma proposta concreta que sua família pode realizar na expectativa de melhor entender o Lema: “Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6,24).

5) Como seu filho ou sua filha participante da catequese entendeu a Campanha da Fraternidade deste ano?



Campanha da Fraternidade

Economia e vida


Lema: “Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6,24).


A Campanha da Fraternidade quer ajudar a construir novas relações, apontando princípios de justiça, denunciando ameaças e violações da dignidade e dos direitos, abrindo caminhos de solidariedade.

A vida em fraternidade é expressão do Evangelho e testemunha a nossa condição de filhos e filhas de Deus. A fraternidade e a solidariedade suscitam uma sociedade em que todos se sintam como família, em paz, harmonia e segurança.

Quaresma é tempo propício para a conversão, momento favorável, dia da salvação. No entanto, esta conversão não se limita ao tempo da quaresma, mas deve produzir frutos que a testemunhem e que permaneçam para a vida eterna. A Campanha da Fraternidade contribui para a vivência do espírito quaresmal, promovendo a conversão da pessoa em todas as suas dimensões: pessoal, comunitária e social.

A Campanha da Fraternidade de 2010 tem como objetivo geral: “Colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão”.

Este objetivo exige que haja justiça social, consciência ambiental, sustentabilidade, empenho na superação da miséria e da fome e, de um modo geral, que se considere com atenção especial, a dignidade da pessoa e o respeito aos direitos humanos. Um ideal de justiça econômica que sirva e sustente a vida só poderá tornar-se realidade pela ampliação do exercício da democracia e se forem estabelecidas também metas para se atingir a plena sustentabilidade.


Para se atingir os objetivos são adotadas as seguintes estratégias:

• Denunciar a perversidade de todo modelo econômico que vise em primeiro lugar o lucro, sem se importar com a desigualdade, miséria, fome e morte.

• Educar para a prática de uma economia de solidariedade, de cuidado com a criação e valorização da vida como o bem mais precioso.

• Conclamar as Igrejas, as religiões e toda a sociedade para ações sociais e políticas que levem à implantação de um modelo econômico de solidariedade e justiça para todas as pessoas.


A dádiva da vida e a lógica do mercado

Deus nos criou por amor, como ato livre da Sua vontade. Toda Criação é sinal do amor que Ele tem por nós. Essa gratuidade divina deve se refletir no agir humano, como resposta a tal manifestação de amor. Vivemos a vida como uma dádiva, que devemos estender a todos de forma incondicional.

Na lógica do mercado, paga-se pela troca de bens e serviços. Entretanto, existem exigências humanas importantes, coletivas e qualitativas, que não podem ser satisfeitas através desse mecanismo.


Há valores que, devido à sua natureza, não se podem nem se devem vender e comprar.


Agradecer é diferente de pagar


A dádiva só pode ser acolhida. Nunca seremos donos da vida. Por ela somente podemos ser agradecidos. A dádiva nos introduz num círculo onde tudo é graça e solidariedade. Bendito seja Deus pela vida, pela fraternidade, pela solidariedade, por este planeta Terra onde a vida brota em abundância! Na sociedade de mercado, paga-se pela troca de bens e serviços. Vende-se e compra-se. Não se doa e não se agradece. Ao pagar é liquidada qualquer dívida. A sociedade de mercado nos afasta das raízes da árvore da vida, que são amor, dádiva, fraternidade e solidariedade. Tira-nos dos lábios o agradecimento e do coração o sentimento de gratidão. Mas não somos mercadoria, e nossa vida não depende dos bens que possuímos. “Não é pelo fato de um homem ser rico que ele tem a vida garantida pelos seus bens” (Lc 12,15). A experiência da fragilidade da existência nos faz exclamar com o salmista: “Se o Senhor não me tivesse socorrido, logo o silêncio seria a minha morada. Quando eu dizia ‘Vou cair!’, “tua fidelidade, Senhor, me sustentava. “Quando mil preocupações me assaltavam, eu saboreava o teu reconforto” (Sl 94 (93), 17-19). Obrigado, ó Deus, pela vida.


A vida de cada um, ligada à vida de todos

Não somente recebemos a vida de graça, mas dependemos uns dos outros. Constituímos a “família humana”, única e rica na sua grande diversidade. Nascemos para conviver. Somos responsáveis por nossos irmãos e irmãs, seja qual for o lugar onde vivem, perto ou longe de nós. Em correspondência aos direitos existem, portanto, deveres e responsabilidades de cada pessoa para com a outra, para a nossa comunidade familiar e para a sociedade como um todo. Aprender a solidariedade significa amar o próximo também nas dimensões globais, em uma interdependência mundial. Na nossa sociedade, a vida humana e o meio ambiente em que os sistemas vivos se perpetuam sofrem ameaças diretas e indiretas. A maneira de organizar a sociedade na economia e na política, nas leis e nos governos e serviços, afeta diretamente a dignidade humana e a capacidade dos indivíduos de se aperfeiçoarem na família e na sociedade. Cada pessoa tem o direito fundamental à vida e, portanto, o direito a todas as coisas necessárias para uma vida de qualidade. As pessoas têm direito a viver e a satisfazer as necessidades básicas. Essas não consistem apenas em alimentação, vestuário e moradia, mas também educação, saúde, segurança, lazer, garantias econômicas e oportunidades de desenvolver todas as capacidades de que uma pessoa é dotada.

Economia a serviço da vida ou vidas à disposição da economia?

Recebemos os bens para a vida e não a vida para a riqueza. “Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). Como seguidores de Jesus Cristo e partícipes da vida social, somos chamados a construir uma justiça econômica maior diante da persistência da indigência, da pobreza e das grandes desigualdades sociais. Toda a vida econômica deveria ser orientada por princípios éticos. A medida ética fundamental para qualquer economia é um sistema que deveria criar reais condições de segurança e oportunidades de desenvolvimento da vida de todas as pessoas, desde os mais pobres e vulneráveis. Em contraposição, a discussão dominante nas recorrentes crises do capitalismo se restringe a estas questões: “Que correções importa fazer para salvar o capitalismo e regular os mercados? Quanto posso ganhar com o menor investimento possível, no lapso de tempo mais curto e com mais chances de aumentar o meu poder de competição e de acumulação?” Não importa se isso leva à destruição da natureza e torna sistêmica a miséria de muitas famílias. A economia não é uma estrutura autônoma. Ela faz parte das prioridades políticas. As políticas econômicas e as instituições devem ser julgadas pela maneira delas protegerem ou minarem a vida e a dignidade da pessoa humana, sustentarem ou não as famílias e servirem ao bem comum de toda a sociedade. A sociedade, incluindo a ação governamental, tem a obrigação moral de garantir oportunidades iguais, satisfazer as necessidades básicas das pessoas, e buscar a justiça na vida econômica.


Mas há toda uma propaganda que vai noutra direção

Olhemos os anúncios que estão nos jornais, nas revistas, na TV, nos cartazes de rua. Eles não dizem simplesmente que este ou aquele produto é bom. Dizem que sem eles você não pode viver ser um sucesso, ser feliz. Na ilustração desses anúncios aparecem as pessoas que a sociedade considera “importantes”, modelos de consumo intenso. E os outros? Os outros são vistos como os que “sobraram” na corrida do sucesso, os que não chegaram lá.


Planeta Terra, casa de todos

O planeta Terra não passa de um grão de areia na imensidão do universo. Mas é um grão de areia habitado, onde pulsa um coração vivo e vibrante. Nele, o ciclo da vida se reproduz há bilhões de anos. É o único planeta conhecido onde a vida viceja exuberante. A mulher e o homem são chamados a habitar essa grande casa, a manter viva a sinfonia da criação, a cuidar, respeitar e conviver com a variedade e pluralidade das formas de vida. O ser humano foi colocado neste planeta como em um jardim do qual deve cuidar. O cuidado é uma maneira de viver diferente das relações de domínio e de mercado. Pela ganância, multidões adoecem e sobrevivem na indigência. A grande melodia do universo vem sendo sistematicamente rompida. Aprofundam-se a cada ano os sinais de devastação. A humanidade, com seu ritmo de devastação, está consumindo mais do que o planeta pode oferecer. Isso significa que demos início a um processo de autodestruição. O desafio agora é refazer a sinfonia universal. O respeito para com a criação é respeito ao Criador. Cuidar do planeta não é um slogan, mas um dever da nossa fé e um dever para com a vida.

Desafios e esperanças

Vamos examinar as muitas injustiças e o desrespeito à vida que derivam de uma economia que idolatra o mercado e não enxerga as pessoas. Hoje, com maiores fontes de informação, temos mais condições de perceber e denunciar problemas. Sabemos mais sobre corrupção, devastação planetária, desrespeito ao direito do cidadão, etc. Mas também é importante lembrar que crescem iniciativas a favor da vida e dos mais desamparados. Instituições de serviço voluntário, dentro e fora das Igrejas, atuam na defesa da vida, em seus múltiplos aspectos. Organizações, entidades e movimentos sociais vão ajudando a reconstruir esta casa de todos que é o planeta Terra. Um movimento amplo e variado de solidariedade que privilegie não a concepção do crescimento a qualquer custo, mas o desenvolvimento humano sustentável, tanto do ponto de vista social quanto ecológico, há de prevalecer. Não se apresenta melhor, quanto à divisão dos bens, a situação do pequeno planeta Terra. A globalização e a liberalização, como motores do crescimento econômico e o desenvolvimento dos países, não reduziram as desigualdades e a pobreza nas últimas décadas.
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