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Ser ético e honesto - Dom Paulo Mendes peixoto

postado em 14 de jul. de 2008 04:19 por Julio Cesar Rodrigues
Ser ético e honesto - Dom Paulo Mendes peixoto
13/07/2008

Como é difícil a autenticidade e a prática das coisas com plena retidão. Dentro da nova mentalidade isto parece até impossível. No bom entender, o caminho de fidelidade está contido nas palavras da Sagrada Escritura, justamente porque nelas, apesar de expressões puramente humanas, são escritas sob a inspiração do que vem do alto, do próprio Deus.

O ser humano tem uma identidade de vulnerabilidade de tamanho muito grande. Por isto ele age com critérios não éticos e, muitas vezes, com a tônica da desonestidade. Infelizmente isto ganha força na área política, no meio dos políticos. E sabemos que a política é espaço sublime para fazer acontecer o bem comum, conseqüência do ser social das pessoas.

Depois de realizados os conchavos políticos, e tendo registradas as candidaturas, instaura-se a feroz briga pelo voto. E ele tem o mesmo valor em cada brasileiro. É o momento em que nos tornamos todos iguais. E como é difícil viver esta igualdade! Esta identidade e direito de cada eleitor se transforma em mera mercadoria. Infelizmente, para muitos, ele é de quem dá mais.

É lamentável o que temos assistido em nossas eleições. Não passam de brigas pelo poder. Até valorizamos a paixão política, paixão por um partido ou candidato. Não entendemos o nível de comportamento, seja de candidato como também de eleitores, com vinculações contra a ética e totalmente desonestas.

Vender o voto é vender a consciência e sofrer as conseqüências. Comprar o voto é tolir o direito de liberdade e demonstrar incapacidade para gerar a coisa pública. Quando um candidato “entorna” dinheiro e outros bens nos eleitores está revelando seu perfil e sua conduta diante dos bens públicos.

O povo está, cada vez mais, saturado de uma história que se repete sempre. Tendo até que se ater a candidatos com “ficha suja”. São inconcebíveis tais fatos e, pior ainda, sendo eleitos e reeleitos. Tudo isto causa desencanto, não diria, pela política, mas pelos políticos. É claro que a análise aqui é generalizada. Muitos políticos têm atitudes corretas e realmente são éticos e honestos.

Cabe aos eleitores o trabalho de conhecer o “curriculum vitae” dos candidatos, principalmente de seus candidatos. Quem foi desonesto dificilmente será honesto diante do bem público. Com muito mais facilidade cairá nos laços dos especuladores. Quem fica no prejuízo é o próprio povo. Aí está o valor da frase, “voto não se vende. Ele tem conseqüências”.

A intenção aqui é contribuir com a sublimidade do momento eleitoral. Nele estão em jogo os municípios e o seu povo. Afinal de contas, são quatro anos de gestão. Poderão ser quatro anos de sofrimento, de pobreza e de desrespeito com os bens públicos que são de todos.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de Rio Preto
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