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Bento XVI: segredo de João Paulo II, a sensibilidade mística

postado em 4 de abr. de 2008 04:18 por Cristo Rei Paróquia


Constata na missa do terceiro aniversário do falecimento de Wojtyla


CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 2 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI apresentou, no terceiro aniversário do falecimento de João Paulo II, suas qualidades sobrenaturais e sua sensibilidade mística como o segredo de sua vida e do carinho que sentem por ele crentes e não-crentes.

Seu sucessor presidiu na manhã desta quarta-feira, na Praça de São Pedro, a missa de sufrágio, na qual participaram mais de 60 mil peregrinos, muitos deles vindos da Polônia, entre os quais se encontrava o cardeal Stanislaw Dziwisz, arcebispo de Cracóvia e secretário de Karol Wojtyla durante quase 40 anos.

Em uma homilia, o Papa Joseph Ratzinger reviveu «com emoção as horas daquele sábado à tarde, quando a notícia do falecimento foi acolhida por uma grande multidão em oração, que enchia a Praça de São Pedro».

O colaborador próximo de João Paulo II sublinhou que sua relação com Cristo constitui a chave para compreender sua biografia: «Ele tinha uma fé extraordinária n’Ele, e com Ele mantinha uma conversa íntima, singular, ininterrupta».

«Entre suas muitas qualidades humanas e sobrenaturais, tinha uma excepcional sensibilidade espiritual e mística», assegurou.

E como prova, recordou os momentos nos quais rezava: «Bastava observá-lo enquanto rezava: ele se submergia literalmente em Deus e parecia que todo o resto naqueles momentos era distante».

«A santa missa, como repetiu com freqüência, era para ele o centro de cada dia e de toda a existência. A realidade ‘viva e santa’ da Eucaristia lhe dava energia espiritual para guiar o povo de Deus no caminho da história.»

Esta dimensão espiritual lhe permitiu pronunciar aquelas palavras que se converteram em uma espécie de lema de seu pontificado: «Não tenhais medo».

«Ele as pronunciou sempre com inflexível firmeza, primeiro levantando o báculo pastoral coroado pela cruz e, depois, quando as energias físicas iam se enfraquecendo, quase agarrando-o, até aquela última Sexta-Feira Santa, na qual participou na Via Sacra desde a capela privada, apresentando entre seus braços a cruz.»

«Não podemos esquecer aquele último e silencioso testemunho de amor a Jesus. Aquela eloqüente cena de sofrimento humano e de fé, naquela última Sexta-Feira Santa, também indicava aos crentes e ao mundo o segredo de toda a vida cristã.»

«Aquele ‘não tenhais medo’ não se baseava nas forças humanas, nem nos êxitos conseguidos, mas unicamente na Palavra de Deus, na cruz e na Ressurreição de Cristo.»

«Na medida que ia desnudando-se totalmente, no final, inclusive da própria palavra, esta entrega total a Cristo se manifestou com crescente clareza», reconheceu.

Suas últimas palavras, constatou, «deixem que eu vá ao Pai», foram o «cumprimento de uma vida totalmente orientada a conhecer e contemplar o rosto do Senhor».

Ao final da eucaristia, o Papa saudou quem promove a beatificação de João Paulo II, que, como revelou nestes dias seu postulador, Pe. Slawomir Oder, encontra-se em um momento importante.

Está a ponto de entregar o informe e a documentação que deverão provar as virtudes heróicas de Karol Wojtyla perante o juízo das comissões de teólogos, por uma parte, e de cardeais e bispos, por outra.

Se este passo for afirmativo, o processo deverá demonstrar a existência de um milagre (uma cura cientificamente inexplicável), atribuído à intercessão de João Paulo II após sua morte.
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